Scrum é o framework mais popular da metodologia ágil e não é à toa. Ele vem ganhando o coração de muitos profissionais principalmente por ser uma ferramenta simples pela qual os times conseguem gerenciar projetos complexos. 

 Jeff Sutherland, um dos criadores do framework, defende que o “Scrum é a arte de fazer o dobro do trabalho na metade do tempo”. Essa frase, inclusive é título de um de seus livros de maior sucesso sobre o tema.

 E sabe o que é mais interessante? Esse framework não é exclusividade das áreas de tecnologia. É possível usá-lo em diversas áreas diferentes seja para manter, implementar, construir ou desenvolver soluções.

 Uma coisa é certa, se você é membro ou líder de um time, independente da área de atuação, precisa conhecer e entender como funciona o Scrum e como ele pode ajudar sua equipe a alcançar resultados melhores e mais rápidos.

 Vamos desvendar os caminhos do Scrum, entender como e onde surgiu, conhecer os papéis de cada integrante da equipe e como podemos aplicar esses conceitos na prática. 

Vamos lá?

O que é um framework ágil?

 Em tradução livre, framework significa “estrutura”. Um framework ágil não é um processo, mas sim um modelo a ser seguido que condiz com os princípios presentes no manifesto ágil. 

 É como se o agile fosse uma filosofia e um framework fosse uma estrutura para os times trabalharem de forma organizada. Assim, não podemos dizer que os frameworks são metodologias, porque eles não dizem o que deve ser feito, apenas orienta o caminho. 

Geralmente, os modelos ágeis podem ser adaptados e combinados a outras ferramentas e técnicas.

As estruturas do ágil estão todas debaixo do “Guarda chuva Agile” e o Scrum é uma delas. 

Mas por que será que ele se destacou tanto? Para entender isso melhor, precisamos voltar um pouco no tempo e saber como esse modelo surgiu. 

Breve histórico do Scrum

 O scrum é uma estrutura para gerenciamento de projetos ágeis que teve seus primeiros sinais vitais lá por volta de 1986. Porém, ele só ganhou corpo, forma e nome em 1995, após Jeff Sutherland e Ken Schwaber o estruturarem como um modelo. 

Em 2001 Jeff e Ken se reuniram naquela famosa reunião na estação de esqui de Utah. Lá vários representantes de diferentes modelos de desenvolvimento de software discutiram as semelhanças e concordâncias de ideias que originaram o manifesto ágil. 

Não sabe sobre essa história? Leia esse artigo que eu escrevi contando como surgiu a metodologia ágil que você vai entender, foi muito louco! 

Esses são o Jeff Sutherland e o Ken Schwaber, considerados os pais do Scrum:

Jeff Sutherland e Ken Schwaber, criadores do Scrum.
Respectivamente Jeff Sutherland e Ken Schwaber.
Foto de Scrum.org

Por que o Scrum foi criado?

 O Scrum foi criado para suprir necessidades relacionadas a gerenciamentos de projetos complexos que necessitavam de entregas ágeis e incrementais.

 A referência para o desenvolvimento da abordagem foi idealizada a partir de um artigo publicado na Harvard Business Review em 1986, por Takeushi e Nonaka, com nome de “O novo jogo do desenvolvimento de produto”. No material os autores comparam a abordagem antiga de desenvolvimento de software a uma corrida de revezamento, em que grupos de especialistas trabalham de forma sequencial. 

 Por outro lado, a nova abordagem sugerida era semelhante a um jogo de Rúgbi, onde os membros trabalham juntos do começo ao fim. O processo, nesse caso, nasce da interação, e tem como foco o engajamento das equipes em todos os níveis do projeto. 

Foi a partir desses conceitos que Jeff e Ken começaram a desenvolver o modelo ao qual deram o nome de Scrum, que faz referência a um elemento de reinício de partida nos jogos de Rúgbi. 

As Características do Scrum

 Jeff Sutherland e Ken Schwaber, em seu Guia do Scrum, definem a estrutura da seguinte maneira:

 Scrum é um framework dentro do qual pessoas podem tratar e resolver problemas complexos e adaptativos, enquanto produtiva e criativamente entregam produtos com o mais alto valor possível. Scrum é: Leve, simples de entender e extremamente difícil de dominar.

(Trecho do Scrum Guide).

 O Scrum é um conjunto de boas práticas no qual podem ser utilizadas diferentes ferramentas, técnicas e abordagens para chegar ao objetivo. Os times Scrum realizam entregas de forma iterativa e incremental, ou seja, o projeto vai sendo entregue a medida que evolui e os refinamentos são repetidos constantemente.

Os 3 pilares do Scrum

Segundo o Guia do Scrum, o framework se traduz em uma abordagem empírica, assim não importa se o processo será metódico ou não, ele sempre será baseado na experiência e observação.

 Dessa forma, temos um modelo que abre um leque para tentativa e erro, estimula a colaboração do time do começo ao fim e busca tomar decisões baseadas no conhecimento de causa para aumentar a previsibilidade e controlar riscos.

Esse processo acontece com base em três pilares que moldam todas as ações e acontecimentos do projeto dentro do framework, são eles:

Transparência: As informações, requisitos e detalhes do projeto devem ser transparentes aos participantes. O status do trabalho, evolução e cumprimento das metas deve ser conhecido por todos. A transparência faz o time estar na mesma página.

Inspeção: Este pilar garante a verificação constante dos artefatos. A inspeção é o que garante verificação frequente dos itens, para questionar se eles estão agregando valor ao  processo Scrum e se estão funcionando da melhor maneira possível.

Adaptação: Trata-se corrigir os pontos problemáticos e falhas, além de evoluir o que já funciona. Adaptar é um efeito da inspeção.  Se há uma forma de tornar o processo mais fluido e eficiente, o ideal é que seja feito o quanto antes. 

Em 2016 também foi adicionado ao Guia Scrum os seguintes valores: Coragem, foco, comprometimento e respeito. Todos esses valores são focados em realizar um trabalho colaborativo de qualidade, extraindo o melhor do time Scrum.

Como o Scrum funciona?

 O Scrum é um modelo genérico que pode ser utilizado em projetos de praticamente qualquer área. No entanto, ele é indicado para projetos complexos. 

Aí você me pergunta: mas  como é possível identificar a complexidade para saber se deve ou não utilizar scrum?

E a resposta é: analisando o quanto você conhece os requisitos. Isso porque, assim, é possível entender a previsibilidade das ações. Quando os recursos estão alocados em ambientes complexos, é difícil saber o que vai acontecer e é aí que você pode se beneficiar de um processo iterativo e incremental.

 Para fazer um projeto acontecer no modelo ágil scrum, é preciso entender como funciona a estrutura deste framework, que se baseia em equipes multidisciplinares, com papéis, eventos e artefatos bem definidos. Vamos conhecer cada um dos elementos a seguir.

Time Scrum

O time Scrum não tem hierarquia, ele é movido a colaboração, interação e engajamento dos membros do time. No entanto existem papéis que definem muito bem as responsabilidades de cada um. Os três papéis listados pelo Scrum guide são os seguintes:

Product Owner 

 Esse termo significa “Dono do produto”, mas não leve tão ao pé da letra a tradução, ele não é mais importante que os outros integrantes. No entanto, o PO possui a responsabilidade de decidir a ordem do desenvolvimento, quais funcionalidades e quais recursos devem ser criados ou otimizados primeiro para garantir o sucesso da solução, de acordo com as expectativas do mercado, usuários e clientes. O Product Owner é o cara que vai trabalhar no centro do desenvolvimento, ouvindo e analisando informações de todos aqueles que forem afetados pelo projeto, sempre buscando guiar a equipe no caminho mais vantajoso.

Scrum Master

 É um especialista em Scrum que age como um facilitador para o trabalho do time de desenvolvimento. Ele atua como líder, mas no sentido de apoiar a equipe e ajudar a desenvolver a abordagem scrum. O Scrum master incentiva, ajuda a resolver problemas, colabora para que a equipe compreenda os requisitos do projeto e os princípios e valores do Scrum. Ele não tem poder de dar ordens, mas lidera a equipe pelo exemplo. É semelhante a um coach. 

Equipe de desenvolvimento

São as pessoas que de fato vão executar as estratégias e táticas propostas pelo Product Owner e Scrum Master. O Scrum considera todos os membros da equipe de desenvolvimento como “desenvolvedores”, o que não tem a ver com a profissão de programador, até porque o scrum não é exclusiva do TI, pode ser usado em diferentes áreas.

Conheça os Eventos do Scrum 

No Scrum também existem os eventos, eles são parte importante da definição e organização do projeto. O evento mais importante do Scrum é o Sprint.

  • Sprints são o coração do Scrum, podemos dizer que cada sprint representa uma fase do projeto em que determinado trabalho será realizado. Chamamos o tempo de duração da sprint de “timebox”, que costuma ser de duas a três semanas e deve ser o mesmo para todas as sprints;
  • Planning Sprint – é uma reunião de definição do que será feito durante o sprint. Por exemplo:  “quantas funcionalidades (ou estórias) conseguimos entregar durante uma sprint?”. 
  • Daily Scrum – é uma reunião diária de até 15 minutos em que as tarefas “feitas” e “a fazer” do dia são alinhadas;
  • Revisão do Sprint – é uma reunião que acontece ao final do sprint, para falar sobre o que foi entregue e o que não pôde ser concluído;
  • Retrospectiva do Sprint – também acontece após o sprint. É o momento de analisar as estratégias e desempenho da equipe para adaptar aspectos do Scrum que não foram tão bem sucedidos.

E quais são os Artefatos do Scrum?

 Os artefatos representam o detalhamento do projeto, do trabalho e das oportunidades de inspeção e adaptação. Temos três artefatos listados no Guia Scrum:

  • Product Backlog

Este artefato é criado pelo PO com ajuda do Scrum Master e, nada mais é, que a lista de todos os requisitos do produto. Se for um software, por exemplo, no backlog do produto serão especificadas todas as funcionalidades por ordem de prioridade. Essa ordem pode mudar a qualquer momento  e qualquer mudança no produto deve constar nessa lista.

  • Sprint Backlog

 É a lista do que será realizado na sprint. Para fazer o sprint backlog é preciso analisar o que a equipe é capaz de entregar no timebox definido, para estabelecer uma to do list coerente.

  • Incremento/ Entrega

 O incremento representa a entrega da sprint somada a todas as entregas anteriores. O time deverá definir os requisitos para que algo seja considerado “pronto”.

Como aplicar o Scrum?

 O desenvolvimento ágil de produtos é baseado em errar e corrigir rapidamente para, consequentemente, acertar mais rápido ainda. O Scrum, com todos os elementos que você conheceu acima, proporciona uma estrutura que suporta o desenvolvimento acelerado, porém eficaz, de soluções e projetos.

 Para executar as tarefas necessárias e alcançar o objetivo proposto no projeto, os times podem utilizar as ferramentas e técnicas que acharem melhor. Um projeto baseado em scrum pode ter uma estrutura semelhante a essa, por exemplo:

Processo Scrum

Pronto para usar Scrum nos seus projetos?

Gostou de conhecer o Scrum? Faremos outros conteúdos a respeito deste tema muito em breve, mas se você quiser se aprofundar recomendo baixar o Scrum Guide, de Jeff Sutherland e Ken Schwaber.

Você viu que, na prática, não é difícil implementar esse framework ao seu projeto. Hoje muitas empresas que são focadas no ágil como abordagem de desenvolvimento de soluções diárias, seja de processos do dia a dia ou de projetos periódicos, gerenciam as equipes da organização com o scrum.

 Não é incomum encontrar vagas de emprego recrutando pessoas para times Scrum. Às vezes é algo tão enraizado na cultura da empresa, que o scrum ou o agile nem são citados na descrição da vaga, mas por um ou outro detalhe, é possível identificá-lo. Isso se deve ao fato de vivermos em um tempo no qual as empresas precisam ser ágeis para criar soluções melhores e se destacarem em um mercado competitivo. 

Acredito que de hoje em diante veremos cada vez mais times ágeis nas empresas. Isso porque o ágil é o “novo normal” e com ele abordagens como o Scrum, que fazem sentido em diferentes tipos de projetos, ganham força e espaço em diferentes organizações.

Gostou deste artigo? Deixe aqui nos comentários a sua opinião sobre esse tema e também o que você gostaria de saber sobre o Scrum que não falamos aqui.

Leia também: Como e por que usar Scrum na gestão de processos?